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domingo, 19 de dezembro de 2010

Vou virar de salmão!

Caso você ainda não tenha reparado, é final de ano! Isso mesmo, aquela época em que todos são felizes, amorosos, educados, solidários e gentis. Uma época de ironizar qualquer filho de Deus. Aliás, O Filho de Deus sofre com essa, né? Todo mundo lembra dele em Dezembro. Afinal de contas, jingle bells jingle bells, é Natal! 

E esse ano eu resolvi que iria gostar de Natal... Incentivei minha mãe a enfeitar a casa, participei do amigo-oculto do trabalho e dei crédito à brincadeira na casa do vovô, fui ao Centro do Caos da Cidade comprar as premiações de tradição na casa do outro vô e prometi que iria prestigiar a decoração da Praça da Liberdade. Mas, como a maioria dos brasileiros, deixei para comprar os presentes na última hora (ou seja, ainda não comprei) e sendo assim, não tenho a menor chance de gostar do Natal já que terei que enfrentar o apogeu do consumo na minha primeira semana de férias.

Por tudo isso, resolvi não deixar para a última hora o principal do Revéillon: a escolha da roupa. Embora tenha amigas que me matariam por ainda não saber o que vestirei no último dia de 2010 e no primeiro de 2011, pra mim começar a pensar nisso agora é estar adiantada.

Então vamos lá escolher a cor da roupa... Não, não é qualquer cor de roupa, é a cor da roupa da virada! E isso significa escolher o que eu quero para todo o ano. Tenho uma amiga que diz que não dá pra sair de arco-íris e querer que todas as cores estejam presentes no ano que inicia... Tem que escolher uma e focar naquilo! Afinal, ninguém pode ter amor, paixão, paz, esperança e dinheiro ao mesmo tempo, isso seria humanamente impossível.

De acordo com o que minha péssima memória permitiu, a cor branca foi a que mais usei ao longo de todos os 31 de Dezembro que já vivi. Acho que não deu certo, né? Até porque eu vivo no Brasil.

Não me lembro de já ter virado de vermelho ou rosa, acho uma escolha infeliz. Se você é solteira e escolhe uma dessas cores para usar no revéillon, procure detectar rápido o grupinho mais numeroso de mulheres e permanecer lá durante toda a madrugada, não se ausente em hipótese alguma. A menos que você queira dá-las a oportunidade de falar sobre seu frustrante ano amoroso - “tadinha, não deu sorte, só furada... tomara que a roupa traga um pouco mais de sorte ano que vem”. Já se você é casada ou tem algum tipo de relacionamento estável, avise seu companheiro para detectar a rodinha dos homens porque ele será o alvo das línguas felinas amigas - “tem gente que não tá dando conta do recado, é muita areia pro caminhãozinho dele mesmo”.

Levando em conta de que é uma cor que eu gosto, já devo ter virado na cor da esperança. Pode até ter dado certo, eu não sou das pessoas mais pessimistas... Nem das mais irônicas.

E não, eu não uso amarelo, só de quatro em quatro anos quando tem Copa e torno-me patriota. Vai ver é por isso que sou pobre, só por isso, não tem nada a ver com o detalhe de ser estagiária da área da saúde.

Depois de muito pensar sobre essa importantíssima questão e de querer sair como um carro alegórico para encher meu ano de todas essas coisa, decidi: eu vou virar de salmão! É, isso mesmo, a cor da cor do peixe, a cor da moda, a cor do verão 2011! Vou virar o ano fashion!

Não é que eu tenha desistido de querer dinheiro, amor, paz, esperança ou paixão... É que eu quero tudo! E o melhor jeito de achar que isso é possível é não escolher uma coisa só. Assim, não vou achar que deu errado o amarelo quando chegar a fatura do cartão de crédito ou que não vingou o verde quando estiver de TPM. Se você resolve virar de vermelho e fica em casa sozinha no primeiro sábado de Janeiro, acha que seu mundo caiu, que nada vai dar certo, que o universo conspira contra você, que o vermelho foi a sua pior escolha. Mas se, por exemplo, você virar de roxo, só vai sentir-se a mais azarada das criaturas se tiver que frequentar muitos velórios durante o ano.

Enfim, posso até comer lentilha tentando equilibrar em um pé só ou pular ondinhas (quer dizer, não posso, não vou à praia), mas que vou virar de salmão, isso eu vou!

P.S.: se alguém é especialista em alguma ciência das cores e conhece um significado para a minha cor eleita, por favor, não estrague minha festa e meu otimismo, não me conte! Ou eu serei obrigada a te contar que estamos no horário de verão e que a simbologia de passar a meia-noite não tem o menor sentido.

Ah! Boas festas, amiguinhos!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

E o palhaço quem é?

A falta de educação das pessoas pode ser impressionante e de constatação fácil. Experimente sair pelas ruas a pé e contar quantos motoristas te darão passagem ainda que você esteja na faixa de pedestres. Tente negociar com o grandalhão que mal chegou na fila e encontrou um conhecido lá na boca do caixa. Considere a hipótese de dar bom dia ao seu vizinho. Basta sair de casa que você verá um milhão desses exemplos clássicos, ou com um pouquinho mais de infortúnio, você nem precisará sair de casa, nem precisará desviar do espelho.
E sabe o que é mais gozado? Tem gente que sente orgulho disso, se não fosse assim a comunidade do Orkut "MiNHa edUcaSsãO dePeNDe dA ÇuA" não teria tantos membros. Não, gente, ser espertinho, ser bonzão, ser mal educado e dizer "não tô nem aí, ninguém paga minhas contas mesmo" não é engraçado. Não é legal tirar vantagem de tudo o tempo todo. E quando eu digo que não é legal, é porque não é mesmo, não estou dizendo legal no sentido de divertido, mas no sentido de legalidade. Esses proveitos geralmente vão contra alguma regra, alguma norma, alguma lei, são Ilegais.
Hoje, atrasada como sempre, estava ansiosa a espera do meu querido 9410, vinte minutos mais tarde ele vem, eu olho pro relógio e penso: "não vou atrasar para o trabalho de MDH", e ele veio, veio, veio, e adivinhem? Foi! Não, ele não parou! E não venha me dizer que o motorista não me viu escondida atrás do poste pra tentar driblar o sol no rosto, porque junto de mim tinham mais duas apontando os indicadores para a via expressa e abanando os braços. A não ser que ele tivesse uma bomba armada para explodir quando o velocímetro estivesse abaixo dos 50Km/h, ele não parou porque ele não quis, é simples! Mas tá, isso já aconteceu outras vezes, assim como hoje não foi a primeira vez que a atendente do trailer fez de conta que não tinha ninguém lá esperando para ser atendido, e não foi também a primeira nem a última que fiquei quarenta minutos no celular tentando cancelar um serviço que eu nunca solicitei. Mas tem dia que simplesmente não dá. Tem dias que eu me sinto nesse mundo como num circo, mas não, não tenho a menor vontade de rir.
Respeito: passe a diante!

Não estou me tornando uma pessoa amarga, mas me permito a expressão do que me dói.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Omegle

Essa semana fui apresentada ao website que coloca aleatoriamente anônimos em uma mesma janela para conversarem via chat. O site foi criado por um norte-americano de 18 anos, Leif K-Brooks, que mora em Brattleboro, Vermont, Estados Unidos. O Omegle começou a funcionar no dia 25 de Março de 2009 e tem o inglês como idioma oficial. Os nicks obrigatórios usados na conversa são You e Stranger, termo também empregado na descrição: talk to strangers. Internautas de todo o mundo se comunicam, mas são os chineses, suecos, holandeses, americanos e ingleses que dominam a página, segundo experiências e relatos de usuários da rede.
A princípio tentei usar como desculpa a regra de todas as mamães: “blá blá blá, e não converse com estranhos” para convencer meu colega de que não estava interessada na “novidade”. Mas não deu certo.
Strat a chat: Text or Video
Claro que eu não quis colocar meu rostinho lindo na rede, né?
De primeira me deparei com uma garota do Hawaii mais porra louca do que vilão de Malhação ID (hein?). Sério, dispirocadinha de tudo. Só não conversei com ela por muito tempo porque no meio da conversa descobri quase que sem querer o comando de Disconnect. Tadinha, mais tarde aprendi que receber um Disconnect era uma verdadeira vergonha.
Depois disso, um canadense e um japonês. E do último confesso que tive um certo medo, fiquei pensando se ele não podia burlar o sistema americano e obter todas as minhas informações, que sequer são necessárias para utilizar o site. Mas sabe como é né, ele era um japa, sei lá...
O canadense entra para o grupo formado por dois ingleses que me fizeram sentir na pele a afronta pela qual eu fiz passar a colega do Hawaii. Por três vezes eu tive que enfrentar a mensagem “Your conversational partner has disconnected”. Isso pode ser traumático na vida de um internauta!
Mas o intrigante mesmo é o fato de que nas três situações o temível Disconnect foi precedido pela minha confissão: I’m Brazilian. E aí eu fui entender porque os brasucas que dominam orkut, twitter e coisas do tipo, não estão nas estatísticas de usuários mais assíduos do site. Na hora eu pensei: “ahh, seu Lula, e você viajando para dar um up na imagem do Brasilzão lá fora”. Também fiquei imaginando as mães na gringolândia dizendo: don’t talk to strangers, especially brazilians!!! Eles devem obecer as mothers né? Quem mandou eu não obedecer a minha...
Pra quem quiser tentar: http://www.omegle.com/. Só tomem cuidado ao falar de coisas que denuciem sua identidade, como futebol, samba, mulata e do seu macaquinho de estimação – até porque você, assim como eu, tem um e não quer que um japoronga qualquer o sequetre via chat, né?